Tordo

Nome científico: Turdus philomelos

 Reino Animalia
 Filo Chordata
 Classe Aves
 Ordem Passeriformes
 Família Turdidae
 Género Turdus
 Espécie Turdus philomelos

Distribuição:

O tordo pode ser encontrado em todo o Paleártico ocidental e central, nas regiões boreais e no limite da região subártica. As populações das latitudes médias (Dinamarca, Países Baixos, Bélgica e Nordeste da França) são maioritariamente sedentárias, enquanto as do norte são parcialmente ou inteiramente migradoras. A migração está muito dependente do rigor do Inverno.
A Portugal acorrem indivíduos da Península Escandinava, Alemanha, Suíça, Polónia e antiga União Soviética (subespécie T. philomelos philomelos), do Reino Unido e Irlanda (subespécie T. p. clarkei) e indivíduos que migrando inicialmente para os Países Baixos, Bélgica e Noroeste de França, deslocam-se em Dezembro/Janeiro até à Península Ibérica.
 
A migração para Sul começa em Agosto, sendo o período mais forte de Setembro a Novembro. Estas aves chegam à zona mediterrânica em meados de Outubro. Regressam a Norte entre finais de Março e meados de Abril e, ocasionalmente, mais tarde. Esta ave migra somente quando é necessário e quando as condições são muito adversas, não permitindo deste modo a sobrevivência.

Características:

Mede cerca de 22 a 24 cm de comprimento. A parte superior do corpo é de cor castanha uniforme. As partes inferiores são sarapintadas juntamente com as partes inferiores das asas distinguindo-o assim dos outros tordos. A cauda é castanha, de comprimento médio e rectilínea. O bico é curto, fino e escuro.
Tem o hábito característico de repetir a frase do canto três a quatro vezes.
À excepção da altura de migração, onde podem ser observados grandes bandos, esta espécie tende a ser solitária (formando pequenos grupos nos locais de alimentação fora da altura de nidificação ou em dormitórios).

Habitat:

O habitat de reprodução preferido para o tordo é as florestas de coníferas ou de caducifólias, preferindo as zonas de campo aberto. A conversão das zonas florestais em áreas agrícolas, tem empurrado os tordos para os pequenos bosques e alguns parques (mesmo os situados no interior das cidades). Durante o Inverno pode ser encontrado em zonas mais diversas e onde a dominância do estrato arbóreo é menor, procurando também zonas de menor altitude.

Alimentação:

A lista da sua dieta é muito variada, sendo maioritariamente constituída por invertebrados, alimentando-se também de frutos (principalmente a partir de finais do Verão até ao Inverno, onde nas nossas zonas rurais a azeitona representa um alimento importante para esta espécie). A existência de caracóis e minhocas, parece ser um dos requisitos essenciais à presença desta espécie Procura alimento preferencialmente debaixo de árvores e arbusto.

Reprodução:

O ninho, em forma de taça, revestido por líquenes, musgo e folhas, é construído pela fêmea, em árvores e arbustos, normalmente encostado ao tronco, por entre os ramos e raminhos.
A incubação dos ovos é da responsabilidade da fêmea, no entanto ambos os progenitores alimentam os juvenis, mais ou menos durante três semanas após a eclosão. A época de reprodução decorre de Abril a Junho, dependendo da época de migração.
É uma espécie monogâmica. A formação de novos pares parece estar dependente da migração. Os casais começam a formar-se nos princípios da Primavera. Os juvenis atingem a idade adulta ao fim de um ano.
Durante a época de reprodução, o canto do macho tende a ser concentrado durante o início da manhã  e o fim da tarde, demarcando o seu território, defendendo-o agressivamente na presença de intrusos.

Medidas de protecção:

É uma espécie cinegética bastante apreciada em Portugal, dado que devido ao seu tamanho e ao tipo de voo pode proporcionar belos momentos de caça.
A manutenção do mosaico agrícola característico nas zonas de invernada pode contribuir para a manutenção dos quantitativos populacionais desta espécie. Devido ao facto de parte da população europeia ser migradora, somente o esforço de todos os países pode proporcionar o aumento do número de tordos, contribuindo assim não só para a preservação da biodiversidade, mas também para que a caça aos tordos continue a ser uma prática regular nos campos agrícolas contribuindo, deste modo, para a economia das zonas rurais onde é praticada.